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eu ? te caluniar ? injustiça
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own, que lindaa *-*
vou parar de falar mal da história por tua causa
KPREOKWREPOKREPOKREWOPKEW
own, eu sei que me amas e amou como te descrevi bem sexy, por isso tais gostando KPRWEOKERPWO parei
mas a história tá clichê
):
sorry, vou parar
Chapter Three – Party Rock
20:25 da noite.
Abri os olhos com dificuldade, esquecera a luz do quarto ligada então ela inundou meus olhos e isso me incomodava. Levantei ainda meio desnorteada e diminui a intensidade da luz, assim consegui enxergar melhor. Fui até meu notebook e conferi o horário, havia dormido mais de sete horas e meia.
– Uau! Finalmente. – Não dormia assim desde o acontecido com Lauraine, o que fazia mais ou menos um mês. Estava sempre agitada demais, toda vez que fechava os olhos tudo o que ela havia feito vinha à minha mente e quando eu conseguia dormir pesadelos me acordavam. Entretanto dessa vez foi diferente, dormi e acordei bem, não sei por que, mas foi ótimo.
Estiquei bem meu corpo, acordando-me bem. Então me encaminhei ao banheiro, escovei os dentes e comecei a tirar minha roupa para entrar no banho. No momento em que liguei o chuveiro, ouvi meu telefone. Vesti um roupão e sai correndo. Ao pegá-lo, não identifiquei o número.
– Alô ? – Esperei alguns segundos, porém não obtive resposta alguma, a ligação estava em silêncio completo. – Quem está aí ? – Dessa vez só pude ouvir alguém do outro lado da linha desligando. – Estranho..
Larguei o celular e voltei para o meu banho. Entretanto, novamente fui atrapalhada, a campainha soou. Bufei. Desliguei a água e fui até a porta, abri e me deparei com Lee, radiante e segurando uma mochila.
– Atrapalhou meu banho, sai. – Murmurei com uma expressão como se ela estive tirando comigo. Ela riu, e eu também.
– Isso mesmo, vá tomar um bom banho. Enquanto isso vou escolher uma linda e bela roupa para você. – Com um sorriso enorme no rosto, já foi entrando. Acompanhei-a com os olhos e tranquei a porta.
– Você acha mesmo que vou a essa festa ?
– Não acho, tenho certeza, há! Oi Jenny! – Não havia percebido a presença de minha mãe ali. E ela, entre beijos e abraços com Lee, disse:
– Você deveria ir filha, sair um pouco de casa, fica o dia todo trancada no quarto. – Mamãe era alta e aparentava ser bem mais jovem do que realmente era, um corpo bonito e bem definido para uma mulher com mais de 50 anos. Além de sempre estar com cabelos e roupas na moda.
Ela fazia tudo e qualquer coisa para eu sorrir, não suportava me ver chorando e eu, claro, não a deixava perceber quando isso acontecia. Apesar de quase nunca ter sucesso. Eu sabia que talvez ela tivesse uma ponta de culpa no que houve com Laurie, porém nada me fazia sentir raiva. Sua palavra valia mais que qualquer outra, foi quem me ensinou o que sei e que me transformou no que sou hoje, eu devo tudo a ela.
– Exatamente, agora vamos, tenho que me arrumar além de te ajudar. – Ela pegou minha mão e me carregou até o quarto. Fui até lá reclamando e tentando me livrar disso, porém os argumentos de Lee eram convincentes demais para se conseguir negar.
Lá entrei no banho enquanto conversávamos e ela vasculhava e bagunçava meu guarda-roupa inteiro. Só a confiava essa tarefa de escolher minha roupa porque sabia que me conhecia melhor que ninguém, então ficava tranqüila em relação a isso.
Saí do banheiro e fui ao quarto ver o que me esperava para vestir [..]
› 22:59 ‹
Depois de prontas, apressei Coleen e descemos as escadas, procurando minha mãe para convencê-la a me emprestar o carro – o meu estava na minha casa em Oxford. A encontramos na cozinha e ela, ao nos ver, veio eufórica em nossa direção.
– Hm, que lindas! Vão arrasar hoje. – Todas rimos. Mamãe estava certa, Coleen escolheu meu melhor blazer, que eu estava usando por cima de uma camisa vintage e um suspensório. E claro, sem deixar meu All Star de lado. Minha maquiagem era escura e mínima, sem batom nem nada, só a sombra e o lápis pretos. Agora, a dela era muito mais criativa, com mais cor e vida. Bem mais feminina. Lee estava usando um vestido básico tomara-que-caia vermelho e sapatos altos, ficando, assim, da minha altura. Nos cabelos curtos e loiros fez um penteado diferente do que costumava usar, jogou uns colares e pronto. Estava, realmente, linda.
– Então, Jennifer, posso pegar o carro hoje ? Por favor, por favor, por favor ? – Dizia isso enquanto apertava suas bochechas com um sorrio grande no rosto, a expressão mais meiga que podia.
– Okay, okay Melanie! Pegue aqui. – Ela me entregou a chave, rindo.
– Ae, obrigada mãe, você é a melhor! – Abracei-a com força, apertando-a bem comigo enquanto riamos juntas. Depois de um beijo em seu rosto, soltei-a e fui saindo. – Vamos Lee!
– Ei, não esqueça que vou viajar com seu pai daqui a pouco. E que amanhã seu irmão volta das férias, então você tem que ir buscá-lo às 14:30!– Elliot viajava muito em função da empresa onde trabalhava, e sempre que conseguia a levava junto. O amor deles sempre foi tão suave e incondicional a meu ver, apesar de todos os desentendimentos – papai era meio duro demais às vezes. Sentia-me lisonjeada por ter nascido em meio a isso.
– Pode ficar tranqüila mãe, está tudo nos conformes. Dá um beijo no papai por mim, okay ? Tchau. – Murmurei enquanto saía de casa, sem nem olhar para trás, indo para o carro.
Na garagem, entramos e saímos a caminho da festa que nos esperava. Lee ligou o rádio, estava tocando Cat Stevens – Wild Word, reconhecia aquela voz de longe. A música estava me fazendo lembrá-la, eu não tinha notícias dela há tempos, não sabia onde estava, com quem estava, se estava bem ou por um fio. Várias coisas passaram pela minha cabeça confusa, então eu cantei baixo, querendo que ela ouvisse, onde quer que estivesse. Estava prestando atenção na estrada, porém minha cabeça estava longe ao mesmo tempo.
– Mel, não esqueça que temos que pegar a Bailie. – Falou baixo e calmamente, parecia saber no que eu pensava. Na verdade, ela sabia sim, sabia que naquele momento estava cantando para aquela que me dominava da cabeça aos pés e de corpo e alma. Ela sempre soube tudo.
Eu olhei em sua direção por alguns segundos e concordei com a cabeça. Virei na rua de Bai e, com mais alguns metros rodados, parei buzinando em frente a casa dela. Após minutos de espera, vejo ela vir correndo e entrar no carro, toda alegre.
– Oooi, minha lindas! Credo, que musicas são essas ? Estamos indo para um velório ? – Todas rimos enquanto ela vinha do banco de trás e se enfiava entre mim e Coleen para mudar a música. – Bem melhor assim! – Voltou para o trás, catando.
– Nossa, está animada hein, Bai ? – Comentou Lee quando se juntou a ela na cantoria.
Eu só ria da maluquice das duas. Até que senti um soco no ombro vindo lá de trás. Xinguei e ri ainda mais. Comecei a cantarolar a musicar junta a elas, era Hurricane – Panic! At the disc. Dançamos e cantamos ali mesmo, dentro do carro, íamos passando e as pessoas na rua ou em outros carros nos olhavam assustadas. Foi realmente hilário. [..]
› 00:01 ‹
Logo que chegamos avistei Aleesha entrando. Saí correndo do carro em sua direção e, por trás, esbarrei e segurei sua cintura em um abraço apertado. Só pude ouvir aquele grito extremamente agudo vindo de sua boca, era a marca registrada dela. Ri alto e ela virou para mim.
– Melanie! Você. Tem. Que. Parar. De. Me. Dar. Sustos. Assim!! – Ela me deu um tapa a cada pausa. Todos atingiram meus braços já que eu me protegi com eles enquanto me acabava de tanto rir. Como o esperado, ela não agüentou e deixou a risada solta também.
– Isso, bate mesmo, ela merece! – Bailie vinha rindo de toda a situação juntamente com Coleen.
– Que isso gente, ela finalmente resolveu sair conosco. Merece uma salva de palmas. – Coleen sempre achava um jeito de me defender.
– Pronta para esquecer a vadia hoje ? – Al, com aquele olhar malicioso. Eu ri, apesar de não ter gostado de como a chamou.
– Com certeza, eu espero! Mas.. – Eu desviei meu olhar para baixo ouvindo os aplausos delas pelo o que eu disse. – Ela não é isso.. – Mesmo sabendo o que fez, eu ainda era ingênua o suficiente para defendê-la.
– Ah, não ? – Bai soltou aquela risada irônica, típica.
– Okay Mel, hoje você vai começar a pensar diferente. – Al e Lee pegaram meus braços e me carregaram para dentro.
A festa era no Moon Light Pub. Não era um Pub comum Inglês, tinha uma decoração que contrastava o retrô e o contemporâneo, durante o dia era como um café ou lanchonete e à noite um bar. Às vezes, como hoje, faziam-se festas. Porém, o mais “incomum” – para uma cidade pequena como Surrey – era o fato de ser gay.
Exatamente no momento em que coloquei os pés na festa meus olhos começaram a procurar por algo que nem eu mesma sabia. Lauraine ? Não, eu já havia perdido as esperanças de encontrá-la ali. Talvez em Oxford essa esperança renascesse. Bom, caminhamos até uma mesa próxima ao bar onde as outras estavam. Clare e Alex, com seu namorado Steve.
– Há, não acredito que ele teve coragem de vir! – Afinal, nenhum dos namorados delas veio. Não chegariam aqui por nada. Medrosos. – Olha que os “eles” vão chegar hein, cuida bem Alex. – Ri alto enquanto cumprimentava todos.
– Que nada! Ele vai até gostar. – Disse ela, entrando na brincadeira.
– Só vim para cuidar dela. – Ele levou a mão ao rosto, tapando a boca para Alex. – E, claro, para ver mulheres se pegando.
– Eu ouvi isso, Sr Steve. – Deu um tapa de leve em seu braço e todos rimos ainda mais.
Pedi um drink para nós. Eu observava todas à mesa e ao redor, estavam todos conversando, menos eu e Bailie. Ela parecia ter o mesmo olhar intrigado que eu, olhava tudo com aquela expressão séria e sedutora que só ela. E quando sorria, pronto. Acertaria em cheio qualquer um por mais centrado que estivesse. Aquele ar misterioso.. xeque mate!
Soltei uma risada baixa com meu pensamento e continuei tomando meu drink. Pedia mais a cada vez que o garçom passava, mas não a mesma coisa. Vodka com energético, cerveja..
As horas passaram e de repente decidiram ir à pista de dança. Me levantei junto a elas, todavia com outro objetivo.
– Ei, vou dar uma volta por aqui. Se é que me entendem. – Com olhos e boca em uma expressão maliciosa, eu disse.
– Hm, vai à caça, vai leonina. – Clare era exageradamente ligada aos signos.
Só pisquei para eles e segui meu rumo. Eu tinha que descobrir o que eu tanto procurava.
A medida que andava, fui percebendo e raciocinando. Eu precisava de algo para esquecê-la, e era isso que eu queria. Eu sempre gostei de um desafio quando se tratava disso; conquistar, beijar de leve, ir passo a passo, lentamente. Gostava de timidez, ou até mesmo “iniciantes”. Eu, modéstia a parte, era experiente. Entretanto, hoje não. Queria rapidez, agilidade.. uma transa fácil.
Passei os olhos pelas garotas do outro lado do bar e reparei uma delas me encarando. Ela vestia uma calça skinning escura, acentuando seu quadril, com uma blusa vermelha bem jogada, e saltos altos. Eu retribui seu olhar e após alguns segundos virou o rosto para as amigas, porém de um jeito completamente convidativo. Tinha que ser ela. Lentamente fui me aproximando e percebi seu copo vazio. Parei ao lado dela no bar e, no ouvido do atendente, perguntei o que estava bebendo assim pedi duas doses do mesmo. Pude perceber seu rápido olhar para mim, então peguei os copos, aproximei-me um pouco mais e apoiei um dos braços na bancada.
– Vi seu copo vazio. – Comentei oferecendo-lhe o que estava em minhas mãos, com o sorriso mais apaixonante que tinha. Ela virou totalmente para mim quando suas amigas se afastaram e agradeceu com os olhos. – Melanie Monteith. – Disse, cumprimentando-a.
– Ah, Emily Puckermman, prazer. – Ela sorriu, encantadoramente.
Sim, era ela. [..]
Chapter Two - Silly Annie.
Mesmo local e data, 20:52 da noite.
Em frente a sua casa, deixei que abrisse a porta e entramos. Annie morava em umprédio baixo de 4 andares no centro, era extremamente simples, porém com uma arquitetura típica inglesa e eu gostava disso. Ao entrarmos, a primeira coisa que fiz foi pegar o telefone.
– Alô? Mãe ? Olha, só pra avisar que estou na casa na Ann, ok ? Talvez tenha que ficar por aqui, ela está muito mal.. – “E eu também.” Esperei mamãe terminar e automaticamente desliguei o telefone. Joguei-me no sofá ao lado dela e fitei-a por um longo minuto, esperando que olhasse para mim. Percebi seu olhar, cabisbaixo, virar para mim e nesse momento abri um sorriso malicioso. Vi ela esboçar, também, um sorriso no rosto, como se estivesse segurando a risada.
– O que se passar por essa mente ridícula aí ? Nem vem com merda, não to pra isso hoje, Mel!
– Merda ? Capaz! – Ri alto. Impressionante como minha dor escondia-se e não deixava rastros quando tinha que ajudar alguém. Sempre fui assim, primeiro os outros, depois eu. Fitei-a por mais alguns minutos, com o mesmo sorriso, e ela com aquela cara desconfiada. Então, num momento de distração, agarrei uma almofada e dei em sua cara. Foi lindo. Ela me xingou e instantaneamente jogou-a de volta, mas me esquivei. Não conseguia parar de rir, ficamos ali durante um tempo até cansarmos. Caímos no sofá novamente, completamente ofegantes. Entreolhamos-nos e rimos mais, até que paramos enfim. Não podia deixá-la parada com seus pensamentos, então me levantei e dirigi-me a cozinha.
– To com fome, vem me alimentar! – Voltando a rir.
Passamos horas dentro daquela cozinha, jantamos e depois inventamos de fazer um bolo. Receita “nossa”. Foi uma bagunça só, misturamos tudo que podíamos enquanto jogávamos comida na outra e sujávamos tudo. Riamos sem parar. Peguei a forma, derramei a massa cuidadosamente dentro e levei ao forno. Quando virei novamente para Ann, não a vi. Procurei-a com os olhos por toda parte, até que apareceu na porta segurando duas vassouras e um pano de chão.
– Hora da limpeza, Memel! – Rimos. Peguei uma das vassouras e comecei a varrer quando ela começou a limpar a bancada. Terminamos tudo exatamente no momento em que o bolo ficou pronto. Sentei a mesa e ela foi pegar-lo, a aparência estava tão boa quanto o gosto. Comemos quase tudo e guardamos o resto para mais tarde.
Já cansadas, fomos parar no sofá, eu sentada e ela deitada com a cabeça em minhas pernas. Assistíamos uma comédia na TV quando ela adormeceu com meu carinho em seus cabelos, passei meus olhos observando-a. Annie tinha a minha altura, porém era muito mais magra que eu, com cabelos compridos. Com tudo que estava passando com Tommy agora estava praticamente pele e osso e sem cor, pálida com olheiras acentuadas, era perceptível que não comia nem dormia direito há dias. Lauraine nunca gostou dela, não sei bem porque já que ela é praticamente minha irmã e sempre tentou me ajudar com todos os nossos problemas.
Certifiquei-me de que estava realmente dormindo e com todo cuidado segurei sua cabeça e a fiz deitar no sofá sem mim, não queria acordá-la, mas eu não consegui adormecer de jeito algum. Passei a noite e madrugada inteira passeando pela casa e escrevendo no computador de Annie, sempre indo à sala de hora em hora para acalmá-la de seus pesadelos. Talvez tenha cochilado em sua cama por alguns minutos, porém nada que revigorasse os ânimos. Não percebi as horas passando, nem o dia amanhecendo. [..]
› 26 de agosto, 10:29 ‹
Estava na cama lendo, quando ouvi a voz de Annie vindo da sala. Bufei, achando ser outro pesadelo e então me dirigi até lá. Não era nada disso, ela estava ao telefone, novamente com aquela expressão pálida, triste, desesperada. “Aquele desgraçado!”, pensei. Todo meu esforço ontem foi por água a baixo.
– Larga o telefone agora, Annie! – Disse em voz alta. Ela direcionou seu olhar para mim, assustada, e começou a se despedir dele completamente nervosa. Ouvi seu “eu te amo” baixo, tentando me esconder. Revirei os olhos e fui em sua direção.
– O que esse cara queria ? Você não percebe que ele está te destruindo aos poucos ?
– Calma, mel.. ele só queria se desculpar, conversar, essas coisas.. – Ela soltava as palavras sem olhar nos meus olhos. Ela sabia que eu estava certa. – Ah! E ele está.. vindo aqui..
– Ah, está é ? – Disse em tom irônico. – Pensa bem ok ? Tenta pelo menos uma vez não deixá-lo te fazer de idiota, já não chega de chances para ele ? Eu estou saindo, não quero ter que ver minha irmã ir para o poço novamente.
Peguei meu agasalho e fui andando em direção a porta enquanto ela resmungava algumas coisas, querendo que eu aceitasse, até que soltou:
– É a mesma coisa com ela Mel, você a ama e voltaria a qualquer momento.
– Como é ? Não estamos discutindo sobre mim. – Um fervor subiu ao meu rosto, estava com raiva. – Ele olhou nos teus olhos e mentiu, mais de uma vez. Ela veio até mim e teve a coragem de contar a verdade! – Abri a porta e saí, nervosa, mas ainda assim consegui ouvir :
– Traição é traição, assim como amor é amor, Melanie! – Ela cuspiu as palavras de um jeito terrivelmente rude para mim.
Vi Tommy vindo ao longe, com aquele sorriso sarcástico típico de um psicopata, como se estivesse rindo e se vangloriando por dentro. Ao passar por ele, o empurrei com o ombro, então ele virou para mim, e eu o encarei.
– Você ganhou a batalha, não a guerra. E não pense que vou desistir. Conseguirei minha amiga de volta! – Vi seus olhos ficarem avermelhados em segundos, ele parecia tremer por dentro. – O que ? Vai me bater ? Ela está lá olhando, otário. – Continuei com os olhos fixos nele, esperando alguma reação, então ele ajeitou a postura, respirou fundo e foi em direção a Annie. Suspirei aliviada e olhei-a de longe mais uma vez. Tinha a perdido de novo, mas ainda estava disposta a lutar apesar do jeito como me tratou.
Na caminhada de volta para casa fui gradativamente me acalmando, e chegando lá, entrei e fui direto para meu quarto. Estava muito cansada, não havia dormido à noite toda, então resolvi que iria conseguir dormir de qualquer jeito. Tirei tudo de cima da cama e me joguei, fechei os olhos e não agüentei um segundo em meio aos meus pesadelos. Abri os olhos, assustada, com minha respiração já irregular. Deitei minha cabeça de lado, avistando o celular no criado-mudo. Vi que já estava completamente carregado, desconectei-o da tomada e liguei. Havia três ligações perdidas, Coleen me ligou duas vezes, porém a terceira ligação era de um número bloqueado. Não liguei, simplesmente disquei o numero dela.
– Meeeeeeeeeeeeeeeel! – Gritou em meu ouvido, mais animada impossível.
– Meu ouvido, trouxa, o que tu quer ? – Rimos.
– Idiota. Festa hoje, você precisa conhecer gente nova, ou melhor, mulheres novas. –Percebi o tom malicioso em sua voz. Rimos ainda mais. – Sei o lugar perfeito para isso, todas vamos. Que tal ?
– Não vou nem dizer que não estou com cabeça porque já sabes né ?
– Então ta. Tchau.
– Ah! Desligou na minha cara, desgraçada. – Disse indignada, mas rindo. Respirei fundo e fechei os olhos. Mais uma vez tentando adormecer. [..]
Chapter One - All the crap from my solitude.
Surrey, Inglaterra.
Dia 25 de agosto de 2012, 14:45 da tarde.
Sentada sem frente ao computador, fazendo nada, olhando a tela a espera de algum sinal dela, eu resolvi aproveitar o momento para me causar mais nostalgia. Não sei bem porque tive essa maldita idéia de abrir a pasta com nossas fotos e conversas, mas estava decidida e fui atrás da mesma. Talvez por já estar a ponto de chorar. Eu queria chorar, chorar tudo de uma vez, tirar isso de mim, e então já aproveitaria a ausência de todos em casa assim ninguém me atormentaria com perguntas que não queria responder.
Esse é o único ponto ruim em ficar na casa dos pais, menos privacidade, mais coisas sufocando dentro de mim. Era ainda pior para alguém como eu, que mora sozinha a quase 3 anos e sem a família a 3 e meio. Morava com Molly, porém se formou mais cedo que eu e foi à capital, Londres, com seu trabalho. Vim passar as férias da faculdade com a família, seria maravilhoso, se não tivesse acontecido o que aconteceu. Mas isso eu conto depois.
Meu corpo estremeceu ao abrir a pasta com todas aquelas lembranças, mas não desisti, cliquei no primeiro link e comecei a ler. Um sorriso brotou em meu rosto. Foi involuntário. Como éramos felizes juntas, era lindo lembrar daquilo tudo. Soltei uma risada curta ao passar meus olhos por algumas brigas por ciúmes meu ou dela, como éramos bobas. Tínhamos tanto medo de perdermos a paixão da outra. Ria mais ao lembrar quando brigas assim aconteciam pessoalmente, cada uma de nós ia pro seu quarto, emburradas, e depois de alguns minutos já estávamos de beijos e carinhos. Eu ia ao seu encontro, sempre, meu orgulho passava mais rápido, na verdade era instantâneo, parávamos de falar e meu corpo já implorava o dela. Mas eu a deixava ir, deixava se acalmar, deixava seu corpo sentir a minha falta também. Então eu levantava e pegava a direção do quarto, entrava e ia parar do seu lado, acariciando seu rosto, dizendo baixinho o quanto a amava. Era assim que ela se entregava, era tão bom, tão cheio de paixão, nossos corpos imploravam por perdão e amor.
Vi, com sorrisos no rosto, todas as fotos, desde aquele dia quando a pedi em namoro até nossas maluquices em casa. Por um instante estava sendo revigorando fazer o que estava fazendo, porém, depois de ter lido vários meses de diálogos e lembrado de tudo que passamos juntas, soltei minha última risada e voltei a fitar a tela, sem ver nada. Estava acabada. Aos poucos a saudade foi tomando conta de mim, a dor começou silenciosa no meu coração e partiu com força por todo meu corpo. Era como uma faca rasgando cada centímetro meu, as lágrimas saiam incontrolavelmente, e eu – sem mais força alguma – me dirigi a cama. Fui me deitando, me aconchegando, pegando um dos travesseiros e apertando-o com força contra meu corpo. Meu choro saía alto, eu gritava, me retorcia na cama. Enfim, com tudo, passado algumas horas, adormeci.
› 17:20 ‹
Meu sono era leve então um simples e baixo barulho vindo da bancada me acordou. Abri os olhos com dificuldade e xinguei. Não queria acordar, não agora, só quando a dor diminuísse. Aos poucos raciocinei o que era o som que me fez acordar. Meu coração disparou, e levantei aos pulos. Meu celular. “Será você, meu amor ?” Demorei até achá-lo, estava tudo uma bagunça ainda. Até que então, consegui. Cheia de esperanças, olhei-o e.. me destruí ainda mais. A bateria estava acabando. Envolta em raiva e dor, joguei o celular com força em cima da cama, deixando-o que desligasse sozinho. Mais algumas lágrimas começaram a sair. Irritei-me comigo mesma e então resolvi sair, espairecer. Peguei minha camisa, meu headphone e saí de casa, sem rumo.
Andando e ouvindo música, tudo que minha mente me trazia era Lauraine. Aquele pensamento que costumava ser tão bom, que costumava trazer tanta alegria, agora me fazia estremecer de dor. Ela já não era mais minha, nós já não estávamos mais juntas, apesar de eu pertencer irrevogável e incontestavelmente a ela. E eu me perguntava “Por que fez isso comigo ? Justamente comigo ?” Uma lágrima brotou em meus olhos e, mesmo com a força que estava fazendo para prende-la, ela escorreu. Há essa altura eu já estava sentada em baixo da minha árvore, a mais bela árvore que eu já conhecera. Ficava em um lugar afastado da cidade, um enorme lago rodeado por um vasto campo montanhoso com cor de água azul cristal, nada me trazia mais paz do que aquele lugar. Nunca me encontraram lá, era meu esconderijo, só duas pessoas sabiam a localização: mamãe, que foi quem me apresentou o local. Vínhamos passar o dia aqui quando eu era criança e ela ficava cansada das grosserias de meu pai. E Laurie. Sim, foi embaixo daquela árvore que a pedi em namoro. Ah! Ela me fazia tanta falta, eu não suportava mais, era sufocante. Eu tinha que encontrar uma forma de esquecê-la, tinha que levantar a cabeça e seguir minha vida em frente, caso contrário eu não agüentaria.
Levantei, tirei meus sapatos e caminhei em direção ao lago. Não pensei duas vezes, fechei os olhos e mergulhei fundo. Fiquei lá em baixo por tempo demais, não senti necessidade de respirar, simplesmente permaneci tentando acabar com toda aquela coisa horrível que se passava dentro de mim. Como ela conseguia exercer tanto poder assim em mim mesmo tão longe, mesmo afastada ? Nesse instante senti meu pulmão implorar por oxigênio, uma dor intensa em meu peito. Abri os olhos rapidamente e nadei novamente a superfície. Já estava quase anoitecendo e se eu não voltasse para casa antes de todos causaria a maior confusão, e já que não estava com ares para brigas hoje, peguei o caminho de volta. Sempre pensando nela e em como chegamos tão perto, porém suas palavras não saiam da minha cabeça. “É claro que sim. Minha vida está um inferno.”, essa foi a sua resposta quando eu perguntei se realmente queria que eu me afastasse. Estava disposta a perdoá-la, porém, ela foi tão direta, parecia tão certa daquilo, que eu fui embora, me afastei.
– Ei! – Meus pensamentos foram interrompidos por braços finos e trêmulos me segurando pela cintura. – Quem é ? Me larga. – Ao conseguir me soltar, viro e fito Annie, aos prantos. Tudo que pensei foi “Não, agora não.” Não estava com cabeça para consolar ninguém agora, só queria ficar sozinha.
– Mel, m-me desculpa, mas pr-preciso de você. – Em meio a soluços.
– Mas o que aconteceu, Ann ? Cadê a sua aliança ? Não me diga que.. – Não tive tempo de terminar.
– Tommy! Acabou! Não sei o que fazer! E-ele..
A partir daí não entendi uma palavra do que ela disse. Era confuso demais em meio aquele choro todo, então a abracei. Com força, sem deixá-la falar, e sussurrei em seu ouvido:
– Te acalma, ridícula. – Costumávamos nos chamar assim. – Vamos pra tua casa, lá faço algo para te acalmar e conversamos melhor. Só preciso ir a minha para me trocar. – Passei meus braços pela sua cintura e os seus pelo meu pescoço, praticamente a carreguei.
Chegando lá, entrei e deixei Ann sentada no sofá a minha espera. Ainda não havia ninguém em casa. Fui rápida. Tomei uma ducha, vesti qualquer coisa e peguei tudo que precisava para ir com ela. Conectei meu celular na tomada, voltei à sala e saímos, comigo novamente a carregando. [..]